Quando o orgulho chegar, olhemos nossos pés
que ainda pisam a Terra humilde, de expiação,
e veremos que o pó que nos cobre as lorés
é o mesmo que suja os chinelos de irmão.
Nascidos da matéria imunda em em crosta densa,
somos todos do espaço imenso, navegantes,
do senhor ao vassalo e do bruto ao que pensa,
iguais no mesmo barco, em mar de ondas gigantes.
Assim o nosso orgulho, insensato e vazio,
não tem razão de ser. È ventania de estio
que varre da nossa alma a compreensão e o amor.
E, olhando outros pés feridos e descalços,
vemos a mesquinhez dos nossos deuses falsos
que ensinam os caminhos e a ascenção sem dor.
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